Na sequência na participação no III Congresso dos Jovens Geocientistas - "O Planeta Terra" os alunos da turma B, do 8º ano apresentaram o seu trabalho intitulado "Radioactividade em águas de Ourém" que aqui publicamos o resumo para conhecimento de toda a comunidade escolar.
RADIOACTIVIDADE EM ÁGUAS DO CONCELHO DE OURÉM
Palavras-chave: aquífero; Lei da Água; parâmetros radiológicos.
Uma grande parte das águas de consumo é retirada de aquíferos: unidades geológicas com capacidade de armazenar água e que a cedem em quantidades economicamente aproveitáveis. Esta água subterrânea resulta da infiltração da água no solo, dando origem a lençóis freáticos ou toalhas aquíferas.
O Decreto-Lei n.º 306/2007, de 27 de Agosto, estabelece o regime da qualidade da água destinada ao consumo humano, procedendo à revisão do Decreto-Lei n.º 243/2001, de 5 de Setembro, que transpôs para o ordenamento jurídico interno a Directiva n.º 98/83/CE, do Conselho, de 3 de Novembro, tendo por objectivo proteger a saúde humana dos efeitos nocivos resultantes da eventual contaminação dessa água e assegurar a disponibilização tendencialmente universal de água salubre, limpa e desejavelmente equilibrada na sua composição, estabelecendo, ainda, os critérios de repartição da responsabilidade pela gestão de um sistema de abastecimento público de água para consumo humano, quando a mesma seja partilhada por duas ou mais entidades gestoras.
Ao estudarmos os recursos hídricos nas aulas de Ciências Naturais e, neste contexto delimitámos o problema seguinte: Serão preocupantes os níveis alfa e beta totais das águas do nosso concelho? Para dar resposta a esta questão, definiram-se os seguintes objectivos: determinar os níveis de alfa e beta totais em águas do concelho de Ourém; relacionar os resultados com os parâmetros estabelecidos na Lei da Água e inferir o grau de risco para a população.
Este trabalho enquadra-se nas Orientações Curriculares para o 8.º ano de escolaridade, no terceiro tema organizador: “Sustentabilidade na Terra – Recursos naturais – Utilização e consequências”. A metodologia utilizada incluiu trabalho de pesquisa na Internet e em livros, leitura e reflexão de textos informativos, e por último uma recolha, nos dias 30 e 31 de Janeiro, de 13 amostras de água da rede pública e de fontes de abastecimento. Recolhidas as águas foram analisados radiologicamente: os parâmentos alfa e beta total, no Laboratório de Radioactividade Natural, do Departamento Ciências da Terra da Universidade de Coimbra.
A água que abastece o nosso concelho provém do sistema aquífero de Ourém. Este sistema corresponde a uma extensa estrutura siclinal com pendores muito suaves, constituída por um complexo detrítico do Cretácico Inferior, a que se seguem calcários marinhos do Cenomaniano, e depósitos continentais do Miocénico e Pliocénico. Da análise dos resultados obtidos podem tirar-se algumas conclusões: os valores, em especial os referentes à actividade alfa total, são, em geral, relativamente elevados, como se depreende da comparação com os limites propostos na legislação. No entanto, por si só os valores medidos não permitem concluir que as águas são impróprias para consumo; só após a análise de outros parâmetros, como as actividades em U-238, U-234 e Ra-226, e que esperamos vir a conseguir lá mais para o final do ano lectivo, se poderá ter certezas quanto a este aspecto. O que podemos desde já concluir é que existe um potencial elevado de se encontrarem na região águas radioactivas.